Luto em Magdeburg: Protestos de direita contra a migração crescem após o ataque

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Após o ataque mortal ao mercado de Natal em Magdeburg, a Alemanha está a debater a migração e os motivos dos perpetradores.

Nach dem tödlichen Anschlag auf den Weihnachtsmarkt in Magdeburg debattiert Deutschland über Migration und die Motive des Täters.
Após o ataque mortal ao mercado de Natal em Magdeburg, a Alemanha está a debater a migração e os motivos dos perpetradores.

Luto em Magdeburg: Protestos de direita contra a migração crescem após o ataque

Uma sombra de terror paira sobre Magdeburg! A cidade está de luto pelas vítimas de um ataque bárbaro que ceifou a vida de um menino de nove anos e de quatro mulheres na noite de sexta-feira. Um homem dirigiu seu carro até o lotado mercado de Natal, ferindo cerca de 200 outras pessoas. As feridas são profundas e a dor incomensurável.

O suspeito do crime, Taleb al-Abdulmohsen, um psiquiatra de 50 anos de origem saudita, vive na Alemanha desde 2006 e enfrenta agora acusações graves: homicídio e tentativa de homicídio. Enquanto a nação permanece em estado de choque, os partidos políticos unem-se para oferecer condolências às vítimas e prometem reforçar as medidas de segurança.

Luto e protestos unidos

No entanto, entre a luz das velas e as cerimónias fúnebres que transformam a cidade num oásis de compaixão, as coisas estão a borbulhar abaixo da superfície. Mais de 2.000 apoiantes da extrema direita reuniram-se no sábado com faixas e slogans contra a migração. Uma imagem chocante que nos lembra o passado sombrio da cidade. Nicole Anger, membro do Partido de Esquerda, descreve o clima atual como assustador: “As crianças e as pessoas com origem migrante têm medo de sair às ruas”.

A cidade, num momento de silêncio e memória, é ofuscada pelo debate político sobre migração e segurança. Embora o mercado de Natal permaneça fechado durante o resto do ano, os vendedores distribuem frutas e vegetais gratuitamente para apoiar os enlutados. Mas as crescentes tensões entre o luto e o protesto lançam uma sombra negra sobre a comunidade.

Turbulência política e extremismo

O ato brutal ocorre num momento crítico para a Alemanha. Após o colapso da coligação sob o comando do chanceler Olaf Scholz em Novembro e a perda de um voto de confiança em Dezembro, novas eleições estão marcadas para 23 de Fevereiro. A AfD, que está a fortalecer-se através dos sucessos nas eleições estaduais deste ano, poderá beneficiar da situação. Pouco antes do incidente, Elon Musk causou alvoroço ao afirmar nas redes sociais: “Só a AfD pode salvar a Alemanha”.

As reações ao ataque estão divididas. Observadores políticos alertam que a AfD poderia explorar a situação para divulgar ainda mais as suas opiniões anti-migrantes. Justus von Daniels, editor-chefe da Correctiv, manifesta preocupação: “Se a AfD continuar a insistir na questão da migração, poderá envenenar o debate político”.

Os motivos do perpetrador permanecem um mistério. Al-Abdulmohsen, que se apresenta nas redes sociais como um ex-muçulmano e apoiante das mulheres da Arábia Saudita, mostra nas suas publicações uma aversão ao Islão e uma tendência para ideologias extremistas de direita. A Arábia Saudita já tinha alertado a Alemanha sobre o médico em novembro de 2023, mas as autoridades não o viam como uma ameaça na altura.

As reações ao ataque são complexas. Embora a dor pelas vítimas seja evidente, os extremistas estão a aproveitar a oportunidade para fazer avançar a sua agenda. Jorinde Schulz, ativista de esquerda, alerta: “A extrema direita está se mobilizando quase sem impedimentos. Para eles, este ataque é um trampolim para ganhar mais apoio”.

Um homem que ameaçou violência contra pessoas de origem árabe no TikTok foi preso em Bremerhaven no domingo. Mais um sinal alarmante num momento em que a sociedade enfrenta medo e incerteza.